terça-feira, 17 de novembro de 2009

Nhé

Hoje não irei fazer réplica a nenhum post em específico. Eu não postei nada desde o primeiro dia simplesmente porque a faculdade anda me entupindo de coisas pra fazer. Queria poder tirar um ano sabático, sabe. Não é só porque sou preguiçosa, é que a gente simplesmente nunca pára, desde que entra na escola no berçário até o fim da vida: estudo, estudo, estudo, trabalho, trablaho, trabalho, e conforme mais cansado e pressionado vc fica, menos férias vc tem. Oh, hell!... E o pior é que no fundo a gente tá sempre se perguntando se tem sentido continuar nessa correria e se auto-obrigando a cumprir com todas essas atribulações. Afinal, por que estamos aqui mesmo? Não que deva haver um motivo, mas já que não tem motivo, por que não pode ser de outra forma? Por que fazemos da nossa própria vida um tormento tão grande? Não que seja tudo uma simples questão de escolha (essencialment eu acredito que seja), afinal, eu pelo menos me sinto impotente diante de todas essas instituições-empresas (hoje tudo se confunde). Não quero entrar num papo de extrema revolta contra o sistema ou o capitalismo nem nada, mas ver que todos esses pesos na vida são em decorrência das ações de uns interessados em garantir seu dinheiro/poder é um tanto revoltante. Quando vejo que todas essas merdas como guerra, violência (e não digo só violência física, é aquela violência quando qualquer pessoa ou empresa impõe alguma ruptura na nossa vida, na nossa rotina), exclusão social, problemas ambientais etc são fruto do modo não só como vivemos mas como somos forçados a viver (sob o lema de liberdade)... bem, eu fico um tanto que me sentindo nula nessa história toda. Outro dia eu cheguei a uma conclusão, de repente, enquanto escrevia em um caderninho meu no ônibus: sou dominada. Não, não é o papo do post anterior, não estou dizendo meramente a relação entre gêneros. Eu sou dominada por tudo que me faz ser quem sou e por tudo que quer que eu aja dessa ou daquela maneira. Sou dominada por mim mesma e pela sociedade. De alguma forma, não tenho como escapar desse modo de vida. Não tenho como deixar de depender do dinheiro, não tenho como parar de consumir, não tenho como simplesmente não querer consumir. O inferno são os outros e o inferno sou eu mesma.
Nietzsche defendia que deveríamos realizar o que ele chamava de "transvaloração de todos os valores". Isso deveria ser feito atravé sdo método genealógico, ou seja, deveríamos investigar a origem e contexto (além das conseqüentes transformações ao longo do tempo) de nossos próprios valores, a fim de questionar o valor dos mesmos. Por que tô dizendo isso?Porque acho que tem tudo a ver com a minha divagação do parágrafo acima. Me parece que a única forma de me libertar dessa tal dominação seria conseguir me colocar acima de todos esses valores com os quais fui criada/dominada e enxergá-los sob uma luz totalmente nova (e crítica). Mas não é fácil isso, já reconheço. Mexer com as próprias crenças, idéias e princípios me parece muito doloroso. Um exemplo prático é querer rever todo o conceito/valor e questionar a existência do amor romântico quando você está comprometido com uma pessoa de quem gosta muito. O quanto não doeria admitir que talvez seja tudo equivocado?.. Bem.. com essas coisas em mente, vou é tentar fazer meu trabalho de filosofia. Até mais!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Carros e seus acessórios (leia-se "mulheres")

Vejo inúmeros posts com fotos de carros e mulheres, como este, que na verdade só aconteceu de ser o mais recente lá no Ocioso. E não é só isso. São fotos com mulheres sozinhas, mulheres fantasiadas, mulheres com bundas gigantescas (nos famigerados "Segunda rima com bunda") ou aqueles testes de "psicotécnico" (como este). Claramente direcionados para o público masculino, esse tipo de post evidencia um dos piores aspectos do machismo (o antigo e o moderno - é, acho que já dá pra fazer essa divisão). Explico.
Meninas são criadas desde pequenas com uma atenção especial em relação ao seu corpo. O corpo da menina não lhe pertence: primeiro, ele é do seu pai, que se configura, nas família tradicionais, como a figura autoritária máxima. Ela deve cuidar de seu corpo, ser vaidosa, passar cremes, ficar magra (de preferência peituda e bunduda) e todo esse resto porque um dia seu corpo passará a ser de outro homem que não o seu pai. Como um dia o seu corpo será propriedade de seu marido, ela deve se guardar para o mesmo. Não pode se expor por aí, não pode usar o seu próprio corpo quando quer. Não deve ficar com todos que tem vontade, muito menos transar com desconhecidos. A sua função é se construir como um objeto sexualmente desejável, mas não assumir a sua própria sexualidade de forma ativa, ou seja, não sair em busca de sua própria satisfação.


Clássico "Dilema da Sereia" explica muito bem a condição da mulher-objeto

No entanto, enquanto essa idéia é construída fortemente na cabeça de meninos e meninas, temos o intenso culto (eu diria obsessão) à sexualidade: fotos, imagens, filmes (pornôs ou não) que sempre colocam a mulher e seu corpo em evidência, ditando padrões de sensualidade e até de comportamento. A mulher boa é aquela que aceita tudo na cama: anal, gozada na cara, entre outros. A mulher boa é a que conquista todos os homens, que tem aquele corpo perfeito e aquela feminilidade explícita. Diariamente em posts como aquele, vejo comentários como "nossa, eu comia fácil" [aliás, vou voltar a esses termos 'comer', 'foder' entre outros em outro post], "muito gostosa", "pegava e chupava inteirinha".
Bom, pra ir logo ao ponto: essas fotos todas mostram a mulher como o objeto sexual dos homens, pronta e disposta a ser admirada por eles como tal. O que, para alguém que não aceita essa condição de objeto-sexual-passivo, é uma coisa extremamente irritante. É a mesma situação quando eu passo pela rua, por exemplo, e homens (e não é só pedreiro, já vi de todas as classes e profissões fazrem isso) gritam e olham como se você fosse um pedaço de carne mui suculento passando. E não duvido que seja exatamente isso que se passa na(s) cabeça(s) dele. Mas é deveras irritante, senão humilhante.
Afinal, quando vemos casos como o da menina lá da Uniban e diversos outros em que as mulheres são chamadas de vagabundas, putas, fáceis, entre outras, torna-se uma enorme incongruência, para não dizer injustiça. Como é que caras que vão lá e fazem aqueles tipos de comentários naqueles blogs ou mesmo pensam daquele jeito mesmo que não comentem, podem criticar uma mulher por ela acabar assumindo esse tal figurino sexy? Afinal, ela não é, de certa forma, vítima dessa imposição de valores e do que é belo e atrativo para os homens? Ou, se ela não está se vendo como objeto dos homens mas sim como uma mulher que busca atrai-los porque é do que ela gosta e o que ela quer é sexo, qual é o grande problema nisso? Esse questionamento é velho e batido, mas por que incomoda tanto aos homens que mulheres se posicionem tal como ele? Eu acho impressionante como ainda homens podem fazer o que quiser sem perder o caráter enquanto mulheres são tratadas como lixo. Me revolto especialmente com discursos do tipo "essa é pra comer" e "essa é pra casar". E é uma coisa que eu nunca vou poder mudar, pelo menos não sozinha, mas que revolta, revolta.


O machismo é perpetrado também pelas mulheres, que assim são educadas

E só um adendo: uma prova de como a mulher é criada para ser objeto dos homens é só o fato de que, quando a mulher "perde" aquilo que é definido como feminino e atraente para os homens(seja aquele corpo curvilíneo ou o cabelão ou usa roupas diferentes), ela é "machão", "sapatão", ou aquela menina que só serve pra ser "amiga". Se querem saber, acho que esses rótulos são até menos humilhante do que o de "mulher gostosa que eu só vejo como um buraco e carne".

Primeiro Post

De uns tempos pra cá, virei freqüentadora assídua de blogs, principalmente os de humor e comportamento. Cada um desses posts me inspira idéias, revoltas e dúvidas. Como, convenhamos, simplesmente postar um comentário não adianta muita coisa, resolvi fazer um blog só para replicar posts colocados em outros blogs. Presunção ou arrogância? Não acho que seja nenhum dos dois, afinal, só estou comentando outros posts, nada mais natural. A cada réplica de post, comentarei no referido blog com o link para o meu post. Direito de resposta todo mundo tem, mas se querem saber, garanto que não vão sequer ler o que eu escrever hahah
Beijos

ps - mas usarei o blog para postagens que não tenham a ver com outros posts tbm